Livros de fantasia para adultos: a minha lista (com um intruso)

Listar os melhores livros de fantasia para adultos sempre dá polêmica. Cada leitor tem a sua própria definição do que cabe nesse gênero, e as fronteiras são bem mais borradas do que parecem. Hoje o mercado está cheio de fantasia infantojuvenil, de histórias para jovens adultos e da febre das romantasias. Mesmo assim, quando alguém me pede indicações de livros de fantasia para adultos, com profundidade e sem fórmula pronta, eu tenho uma lista na ponta da língua. E já confesso: coloquei nela um intruso.
O que entra numa lista de livros de fantasia para adultos?
O que chamamos popularmente de fantasia faz parte de uma família maior, a literatura especulativa. Nessa família cabem a ficção científica, o horror, a distopia, a utopia e a história alternativa. A própria fantasia se divide em vários subgêneros: alta fantasia, fantasia urbana, fantasia sombria, fantasia épica, realismo mágico e por aí vai.
Eu adoro transitar por essa família inteira. Por isso, a minha lista tem clássicos que todo leitor de fantasia conhece e uma obra que, tecnicamente, nem é fantasia.

Trilogia Árvore de Família, Rosane da Veiga Faria
Vou começar pela minha obra. Num mercado saturado de fórmulas, eu quis ir na contramão e escrever uma fantasia para adultos com profundidade, que faz o leitor pensar enquanto se envolve em mistérios sobrenaturais.
Depois de dez anos de pesquisa sobre mitologias da região do Mar Báltico e sobre a cultura pomerana, criei uma história que mistura fantasia urbana com ficção histórica.
Na Parte I: O Colar Que Se Quebrou, você vai conhecer uma maldição que assola a mesma família há muitas gerações. A trama se passa em 2015 e segue as primas Biba, Naara e Valentine enquanto elas se envolvem na misteriosa morte de Gratiano, pai de Valentine.
Na Parte II: A Casa das Sombras, você vai viajar entre 1968 e 2015 para conhecer a história de Edith, avó de Biba, enquanto acompanha o desenrolar da trama das três primas. Edith e sua família fogem da ditadura militar e encontram refúgio numa casa abandonada que ela herdou. O que parecia a solução ideal se transforma no pior pesadelo da família.
Pois todos sabem: o tiro da bruxa, depois de lançado, se for quebrado de maneira indevida, sela o destino do amaldiçoado de maneira fatal.
O Senhor dos Anéis, J. R. R. Tolkien
Esse livro dispensa apresentações. É um clássico da fantasia e foi uma das maiores inspirações para eu escrever a minha própria história.
Quando descobri que Tolkien se inspirou fortemente na mitologia nórdica para criar a Terra-média, uma pergunta ficou martelando na minha cabeça: será que não existe uma mitologia, menos conhecida, que eu possa usar como ponto de partida? Foi dessa pergunta que nasceu a pesquisa por trás de Árvore de Família, e foi ali que encontrei os mitos e folclores que deram asas à minha imaginação.
A Guerra dos Tronos, George R. R. Martin
Outro clássico que não pode ficar de fora. A maneira como Martin usa a fantasia para falar de política e poder me impressiona até hoje. Em Westeros, quase ninguém é totalmente herói ou vilão, e cada decisão cobra o seu preço.
Só há um pequeno problema: a série As Crônicas de Gelo e Fogo ainda não terminou. A adaptação para a televisão chegou ao fim há anos, mas Martin ainda não publicou os últimos livros. Assim como muitos fãs, eu espero ansiosamente pelo desfecho. Você também está nessa fila?
Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez
Para dar um sabor latino-americano à lista, trago García Márquez e o seu delicioso realismo mágico. Em Macondo, o extraordinário faz parte do dia a dia e ninguém se espanta com isso. Chove sem parar por quase cinco anos. Uma moça sobe aos céus enquanto dobra lençóis no quintal. O absurdo da vida cotidiana é levado ao extremo.
Este livro é para quem busca o olhar crítico de García Márquez sobre a sociedade latino-americana, entregue com uma leveza que impacta. Se você acha que fantasia precisa de dragões e espadas, Macondo vai mudar a sua ideia.
Frankenstein, Mary Shelley: o intruso da lista
Aqui está o intruso. Frankenstein é ficção científica, um gênero irmão da fantasia, e é considerado por muitos o primeiro livro desse gênero. Eu não resisti a incluí-lo porque poucas obras influenciaram tanto o que lemos e assistimos hoje.
O padrão criado por Shelley aparece em toda parte:
Um criador tenta ultrapassar os limites morais ou naturais.
Uma criatura desenvolve consciência ou autonomia.
A criatura é rejeitada por causa da aparência, da origem ou da diferença.
O criador não reconhece a sua responsabilidade.
A ambição científica ou mágica entra em conflito com as consequências éticas.
Fica a pergunta sobre de onde vem a monstruosidade: do corpo, da sociedade ou das ações humanas.
Quantos filmes e livros você conhece que seguem esse padrão? Eu comecei a contar e perdi as contas.
E na sua lista?
Qual livro de fantasia não pode faltar na sua estante? Me conta nos comentários, porque eu adoro descobrir novas indicações. E se você procura uma fantasia adulta que fuja das fórmulas, conheça a trilogia Árvore de Família e comece pela Parte I.
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