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Fantasia Histórica: Quando o Passado Encontra o Sobrenatural

  • há 13 minutos
  • 4 min de leitura

Fantasia histórica - Trilogia Árvore de Família de Rosane da Veiga Faria

Imagine uma Inglaterra do século XIX onde a magia sempre existiu. Ou guerras napoleônicas travadas com dragões. Ou o Cairo do século XVIII onde uma jovem ladra descobre que seus "truques" são, na verdade, poderes mágicos. Isso é fantasia histórica: a arte de costurar o impossível dentro da textura do mundo real.

O subgênero combina um cenário histórico, real ou inspirado em um período real, com elementos fantásticos: magia ou criaturas, mitos ou eventos sobrenaturais. A diferença em relação à ficção histórica convencional é que aqui o fantástico não é um detalhe decorativo. Ele reinterpreta o passado, preenche suas lacunas, traz o extraordinário para o cenário histórico real. Duas camadas convivem o tempo todo: a base histórica e a intervenção do sobrenatural.

Tenho uma queda especial por esse subgênero, e reuni aqui obras que me marcaram, mais algumas que estão na minha lista de leitura. Espero que essa lista inspire você também.


Livros de ficção histórica e fantasia - As Brumas de Avalon

Para mim, esta é uma das melhores obras de fantasia histórica já escritas. Zimmer Bradley transforma a lenda do Rei Arthur. Um mito masculino por excelência é reescrito pelos olhos das mulheres que sustentam toda aquela história nas sombras. Morgaine, Guinevere, a Senhora do Lago. A magia celta convive com o avanço do Cristianismo, e essa tensão entre dois mundos é o coração do livro.

É uma leitura longa e densa, mas que transforma a maneira como você enxerga não só a lenda arturiana, como a própria fantasia. Se você ainda não leu, comece por aí.


Livro de fantasia histórica com inspiração no estilo de Jane Austen

Jonathan Strange & Mr Norrell de Susanna Clarke

Clarke evoca Jane Austen em sua prosa: o humor refinado, a ironia deliciosa, o ritmo cadenciado de uma Inglaterra que parece familiar e ao mesmo tempo nunca existiu. No início do século XIX, em uma realidade alternativa, a magia inglesa sobrevive apenas em estudos acadêmicos. Dois homens radicalmente diferentes mudam isso: o recluso Sr. Norrell, que guarda os segredos da magia como se fossem tesouros particulares, e o impetuoso Jonathan Strange, que quer experimentar tudo.

O livro exige um leitor disposto a pensar. Sem clichês, sem fórmulas, você não consegue adivinhar o que vem na próxima página. Prefiro isso a qualquer trama previsível.

O que está na minha lista de leitura

Há obras que ainda não li, mas que estão na fila, e que precisam aparecer aqui porque dizem muito sobre o alcance da fantasia histórica como subgênero.


Série de fantasia histórica contemporânea - Temeraire

Temeraire de Naomi Novik

Uma série de 9 livros que reescreve as Guerras Napoleônicas com dragões no campo de batalha. O primeiro volume, O Dragão e a Sua Majestade, começa com o Capitão William Laurence capturando uma fragata francesa e descobrindo que a carga mais valiosa a bordo é um ovo de dragão chinês, o mais raro de todos. Laurence entra para o Corpo Aéreo e passa a treinar o dragão para integrar a força aérea britânica. A premissa parece absurda. A execução, pelo que dizem, é impecável.


Fantasia histórica: Cidade de Bronze da trilogia Daevabad

Trilogia Daevabad de Shannon Chakraborty

Cairo, século XVIII. Nahri sobrevive pelas ruas como ladra, leitora de mãos e curandeira, e atribui tudo à sua habilidade de observação e a alguns truques debaixo das mangas. Até o dia em que acidentalmente invoca Dara, um guerreiro djinn. A partir daí, a mitologia árabe explode na narrativa: intrigas políticas, um reino habitado por djinn, e uma jovem órfã que descobre uma ligação com Daevabad, a lendária Cidade de Bronze. A trama combina história do Oriente Médio com uma fantasia que traz uma cultura não tão difundida na literatura fantástica.


Livro de fantasia histórica do mesmo autor de The Witcher: Torre dos Loucos

Trilogia Hussita de Andrzej Sapkowski

Do mesmo autor de The Witcher, esta trilogia acompanha as Guerras Hussitas na Europa Ocidental do século XV, história real misturada com alquimia e feitiçaria. O primeiro livro, A Torre dos Loucos, segue Reinmar de Bielau, um médico que, flagrado com uma mulher casada, precisa fugir dos que querem matá-lo e da Santa Inquisição. Ele acaba em Narrenturm, a Torre dos Loucos, onde hereges e desafiadores da ordem convivem com eventos cada vez mais místicos. Sapkowski fora de Wiedźmin ainda é pouco explorado, e esta trilogia parece um bom motivo para mudar isso.

Árvore de Família: fantasia histórica com raízes brasileiras e bálticas

Livros de fantasia histórica contemporânea: O Colar Que Se Quebrou e A Casa das Sombras

E claro que não poderia deixar de falar da minha própria obra. A Trilogia Árvore de Família também transita pelo território da fantasia histórica, mas por caminhos que raramente aparecem nessas listas.

A Parte I: O Colar Que Se Quebrou começa no Brasil contemporâneo, acompanhando as primas Biba, Naara e Valentine, que com a ajuda de Theo e seus amigos enfrentam seres malignos e uma maldição geracional. A partir da Parte II: A Casa das Sombras, a narrativa recua no tempo e você é transportado para o Brasil da ditadura militar. Aqui você entende mais sobre os efeitos dessa maldição na família de Biba e ainda começa a desvendar os mistérios do mundo paralelo de Nerthus. E a Parte III, que ainda estou escrevendo, leva você ainda mais longe: ao século XVIII e às origens dessa maldição mortal.

Ao longo da trilogia, você vai mergulhar em mitologias pouco conhecidas da região do Mar Báltico, na cultura e na história da imigração pomerana para o Brasil, e em um universo sobrenatural construído através de 10 anos de muita pesquisa. A maldição que atravessa gerações carrega o peso de tudo isso.

Porque todos sabem: o tiro da bruxa, depois de lançado, se for quebrado de maneira indevida, sela o destino do amaldiçoado de maneira fatal.

 
 
 

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